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riscos_e_rabiscos

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O Tiro pela Culatra

 

Após um belo repasto inventado por mim e que, mais tarde, postarei aqui, eu e o N. fomos sentar-nos confortavelmente no sofá. Eu a ver TV e ele a tentar descobrir porque é que o router não faz comunicação com o modem.

 

Subitamente, começamos a ouvir, vindo da casa ao lado, música altíssima. Boa! Dez e meia da noite e a festa começa agora! Mas uns sons estranhamente estridentes, tão depressa estava a dar uma música como dava outra. Às tantas começámos a ouvir alguém a cantar esganiçadamente e extraordinariamente desafinado. Batia o Zé cabra aos pontos! Comentei com o N. que aquilo devia ser karaoke, que eles deviam ter amigos já em casa…

 

Eu estava a começar a aquecer e os nervos a fazer cócegas. Foi a minha vez de eu ir dar uma voltinha no pc e o N. – ele vai matar-me por eu dizer isto – foi fazer a sua manicure.

As horas passavam, a música continuava e os nervos aumentavam. Epá, que falta de respeito para com quem trabalha e até para com o sossego a que todos nós temos direito! Há que ter um mínimo de respeito e consideração, não?!

 

Como já não estava a suportar aquilo, fui beber água, fui apanhar a roupa que tinha estendida e, entretanto, voltei a olhar para o relógio. Meia-noite e um quinze! Já chega! O espectáculo vai acabar já, imediatamente! Pedi ao N. para ir comigo até à porta. Ele seguiu-me acompanhado da lima com a qual estava a limar as unhas.

 

Abri a porta, dei meia dúzia de passos. Coloquei o dedo na campainha e... triiim. Nada! Triiim! Nada! A música está tão alta que nem ouvem, querem ver?! Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim! Lã veio o elemento do sexo masculino à porta.

“Vizinho vinha pedir-lhe se podia baixar um bocadinho a sua música… é que é meia noite e meia e nós queríamos dormir…”, disse eu da forma mais calma e diplomática possível mas pronta a esgrimir argumentos. Ou até chamar a polícia, quem sabe! “Sim, senhor, eu baixo a televisão… mas ela está baixa… tem praí 2 ou 3 pauzinhos de som…”

 

Grunho, surdo, parvo e estúpido! Argh! Lã voltei eu a explicar que o subwoofer e o surround sound faz muito eco e que quando nós o ligamos, não temos percepção da repercussão do som na casa dos outros, e que ainda por cima já era muito tarde, blá… blá… blá…

“Mas entre lá e venha cá ver vizinha…” pedia ele. Acabámos por entrar por dois minutos.

 

Afinal o meu vizinho estava sozinho, na companhia dos gatos, estava a ver um filme, o subwoofer dele está por detrás da TV – ou seja, encostado à parede onde eu tenho o sofá (maravilha!) – e não tinha 2 ou 3 +palitos de som mas o som todo! Humpf!

 

Conclusão: acabou por nos fazer uma grande festa, confessou alguns desaguisados com outros vizinhos e ainda combinou um jantar connosco, em casa deles, para nos aproximar-mos enquanto vizinhos, uma vez que o resto do prédio é gente mais velha e meia xexé. Não quer dizer que nós também não o sejamos, certo?!

 

Será que eu fiz uma cara tão feia que ele teve medo e se sentiu na obrigação de fazer isto tudo? Ou estava, como o N. diz, com um “grande estalo” que nem sabia o que estava a dizer?!

Bom, a verdade é que vim de lá completamente desarmada. Já não pude fazer o escândalo planeado na minha cabeça… Saiu-me o tiro pela culatra!!!